domingo, 10 de junho de 2012

Pais e filhos... Esporte para o bem!

Neste feriadão prolongado, eu e a Gi*, estivemos no C.T. em São José dos Campos para mais um trabalho com a Seleção Juvenil de Rugby.

Juntas, com o apoio de toda comissão técnica, realizamos o I Encontro com os Pais. 

O propósito era apresentar aos pais o Projeto Lei de Incentivo ao Esporte, apresentar os membros da comissão técnica e dar uma volta pelo C.T., mostrando as melhorias já conquistadas no local.

Um terço dos pais convocados, compareceram. Isso já é uma grande vitória para um primeiro encontro. Poder conhecer um pouco mais a estrutura familiar de cada atleta enriquece muito o nosso trabalho. Ver a emoção de alguns pais ao falar com orgulho sobre seus filhos foi simplesmente maravilhoso.

Mas, infelizmente sabemos que nem sempre é assim. Nas mais variadas modalidades, muitos pais não apoiam seus filhos na escolha do esporte por diversos motivos e, muitas vezes, os criticam com duras frases sem ao menos dar a chance de entender o porque dessa decisão.



Aproveitamos para falar um pouco sobre o nosso trabalho na Psicologia do Esporte e, com a ajuda de alguns textos, montamos uma pequena "cartilha" que acreditamos ser de grande utilidade na orientação de pais. Segue:




Relação Pais e Filhos


Os pais através da relação que desenvolvem com os filhos, marcam o relacionamento social e o desenvolvimento emocional do jovem posteriormente. A criança sofre uma influência de primeira instância dos pais dentro de casa em relação a sua integração na sociedade (MACHADO 1997), o que poderá afetar seus relacionamentos mais tarde com companheiros na convivência social. 

As várias condutas nos diferentes tipos de relacionamentos entre pais e filhos vão definir se essa relação é benéfica ou maléfica para o desempenho do jovem também dentro de uma competição. São diversos os fatores que podem exercer influência sobre a criança e no seu rendimento, mas especificamente a influência dos pais é bem marcante, principalmente quando o filho está iniciando-se num esporte. A idéia de que a competição tem como objetivo atingir seu melhor resultado que nem sempre é a vitória (DE ROSE, 1992), deve ser analisada como uma possível influência positiva que os pais podem transmitir para seu filho. 

Conforme os atletas vão se desenvolvendo fisicamente, eles também se desenvolvem emocional e psicologicamente (BONJARDIM et al 1979). Porém, a maior parte que chega com sucesso na categoria adulta, tem uma estabilidade psicológica muito desenvolvida e esse desenvolvimento pode ser conseqüência da relação dos pais com os filhos. 


Falta de incentivo e pressão 

Para analisarmos melhor esse problema da falta de incentivo e da possível pressão dos pais podemos citar LATORRE (2001) que aponta algumas classificações de pais e suas características em relação a vida competitiva dos filhos: 

Os desinteressados - pais que costumam se ausentar das competições do filho ou por desinteresse ou porque tem algo "mais importante" para fazer. Estes pais, quando presentes, são valorizados pelos filhos e comissão técnica; 

Os excessivamente críticos - sempre criticam o filho nunca estando satisfeito com seu desempenho. A crítica constante pode ocasionar estresse e até distúrbios emocionais, dentre outros, que prejudicam o desempenho do atleta; 

Os vociferantes - ficam alterados durante as competições, gritam, gesticulam e chegam às vezes a ficar agressivos; 

Os "técnicos" - têm a impressão de serem os donos do time dão instruções aos atletas passando até por cima das instruções do técnico; 

Os superprotetores - têm medo de ver seus filhos em competições por inúmeras razões e insegurança, isso pode ser transmitido para os filhos os prejudicando; 

Os pais fanáticos – independentemente de suas experiências no esporte, bem ou mal sucedidos, eles criam um desejo comum, que seus filhos sejam os verdadeiros heróis no esporte. Nunca estão satisfeitos com o desempenho e sempre tem sugestões para a melhoria deste. Acabam interferindo em todo o processo de preparação, cobram muito de seus filhos a ponto de gerar grandes pressões e falta de prazer pela prática esportiva; 

Os pais "úteis" - incentivam a participação dos filhos nas competições, despertam entusiasmo e ajudam de forma positiva. 


Os 10 mandamentos para os pais de atletas 

1. Faça o seu filho ciente de que, ganhando ou perdendo, assustado ou valente, você o ama e aprecia o seu esforço. Isto fará com que ele dê o melhor de si e evitará que se desenvolva nele o medo do fracasso. O jovem desportista não deverá se sentir apreensivo por uma desaprovação ou desapontamento familiar, caso ele falhe. Seja a pessoa que o encoraja positivamente, aprenda como esconder seus sentimentos se ele o desaponta. 

2. Procure ser honesto acerca das capacidades de seu filho, de seu desempenho e de seu atual nível de rendimento. 

3. Seja solícito, mas não o “treine” no caminho da escola, da piscina, do clube, no caminho de volta, no café da manhã e assim por diante. É difícil não fazê-lo, mas é bem mais difícil e penoso para o jovem atleta, ser inundado por recomendações e instruções críticas. ISSO É DEVER DO TÉCNICO, as horas de treino são suficientes e uma pressão extra em relação aos aspectos técnicos não é bem-vinda. 

4. Ensine-o a desfrutar do entusiasmo da competição, incentive-o a treinar para melhorar sua condição e empenho. Não diga “vencer não conta!”, porque conta. Ao invés disso, ajude a desenvolver-se nele a vontade de competir, de tentar o máximo, de sentir-se alegre consigo mesmo (difícil quando se treina todos os dias, mas você deve tentar!). 

5. Procure não “reviver” sua própria vida esportiva através de seu filho, criando pressões. Você já tentou, já perdeu, já ganhou, já sentiu medo, regrediu muitas vezes, não foi sempre “heróico”. Não o impressione movido por seu orgulho pessoal. Certamente que ele é uma continuação de você, mas deixe-o fazer sua própria imagem de descobertas no mundo dos esportes… Deixe-o navegar nele sem interferências. Ajude a acalmar as águas quando a tempestade se aproxima, mas deixe-o resolver seus problemas de navegação. Não pense que ele sente do mesmo modo que você sentia, que deseja as mesmas coisas que você desejava e que tem as mesmas atitudes. Você lhe deu a vida, agora deixe-o conduzi-la, desfrutá-la. Permita que ele precise de você em seus próprios termos. 

6. Jovens desportistas precisam do apoio de seus pais, por isso você sempre deve dizer: “presente”. Apenas lembre-se que dentro do uniforme existe um ser sensitivo, presente e terno, que precisa de muita compreensão, especialmente quando seu próprio mundo parece estar contra ele. Se ele se sente bem com você – ganhando ou perdendo – é certo que está a caminho do máximo aproveitamento a realização – e, através dele, você poderá dar suas “pernadas” também… Comece a pensar na sua criança como uma criança/adolescente, e não como “meu filho, o atleta”. 

7. Não entre em competição com o técnico. Lembre-se que este, muitas vezes, torna-se um herói para seus atletas, um homem que acerta sempre. Mas quando necessita corrigir, disciplinar, criticar, ou quando exige um esforço extra ou um sacrifício, muitos atletas voltam-se contra ele. Você não deverá apoiar este tipo de atitude. Muito mais produtivo será conversar com seus filhos sobre como resolver o problema, reagir a críticas, fazendo-o entender a necessidade da disciplina, das regras, do regulamento. 

8. Não compare o aproveitamento, desempenho ou coragem de seu filho com os outros elementos da equipe, pois ele é um ser único e a comparação de resultados tem que ser sempre com ele mesmo! Reforce o quanto hoje ele está melhor que ontem. 

9. Você deve procurar conhecer relativamente bem o técnico de seu filho. Assim você se assegurará de que sua filosofia, atitudes, ética e conhecimentos, são suficientes para que você entregue seu filho a ele. O técnico tem uma influência poderosa na formação dos atletas. 

10. Ajude seu filho entender alguns princípios relativos à coragem. Existem diversos tipos de coragem. Alguns são capazes de escalar montanhas, mas se apavoram se têm que entrar num combate (disputa), outros lutam sem medo, mas temem se uma abelha aparece. Todos se sentem assustados, o que varia são as situações; ninguém escapa ao temor. Explique ao seu filho que coragem não significa ausência de medo, mas sim fazer algo apesar do medo e sensação de desconforto. 


Aspectos importantes para um melhor clima de desenvolvimento no Esporte: 

- Inicialmente, incentive seu filho a participar de diferentes modalidades esportivas. Somente após estas experiências, permitir a escolha da própria criança sobre qual esporte ela irá praticar; 

- Ajude seu filho a pensar e decidir quanto ao nível de compromisso que poderá assumir. Isso inclui múltiplos fatores como, oportunidades que a cidade onde reside oferece a prática do esporte escolhido, situação econômica e envolvimento em outras atividades fora do esporte (lazer, cultura, estudos etc); 

- Busque compreender a filosofia da instituição onde seu filho treina e se o ambiente é propício e saudável para o seu desenvolvimento; 

- Oriente seu filho para a motivação e melhora. Construa a autoestima através da compreensão dos aspectos inerentes ao sucesso e fracasso; 

- Ajude-o a traçar objetivos reais de desenvolvimento; 

- Aprenda a controlar suas próprias emoções e favoreça emoções positivas nos filhos; 

- Entenda o principal interesse e necessidade do seu filho no esporte e crie um ambiente favorável para que alcance suas metas e objetivos; 

- Ajude seu filho a perceber lições valiosas que o esporte pode proporcionar; 

- Ajude-o a cumprir os compromissos e responsabilidades com o time e comissão técnica; 


Bibliografia 

BONJARDIM E, DE ROSE JR D, FERNANDEZ JL, L L. O treinamento e a competição precoce e suas influências psicológicas em crianças de 7 a 12 anos. In: I Congresso brasileiro de ciências do esporte, São Caetano do Sul, CELAFISCS, p.35, 1979. 

DE ROSE JR D. Considerações sobre a participação da criança no processo competitivo. In: I Simpósio de psicologia do esporte, p. 27-33, 1992. 

DE ROSE JR D. Situações de estresse específica do basquete. Revista Paulista de Educação Física, V. 2, p. 25-34, 1993. 

LATORRE DLS. Influencia de la familia en el deporte escolar. Revista Educación Fisica y Deportes, v. 40, p. 7, 2001. 

VILANI, L. H. P, SAMULSKI, D. M. Família e esporte: uma visão sobre a influência dos pais na carreira esportiva de crianças e adolescentes. Artigo publicado no seguinte livro: Silami Garcia, E.; Lemos, K. L. M. Temas Atuais VII: Educação Física e Esportes. Belo Horizonte: Editora Health, 2002. p. 09-26. 


Psicólogas do Esporte: 

Fátima Novais da Silva - CRP - 06/62448
Fone: (11) 9540-7101

*Gisele Maria da Silva – CRP – 06/86059 
Fone: (11) 9895-6908 

Bjs a todos!

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